quarta-feira, 23 de maio de 2012


Procuro uma luz, um som, uma chama, que me aqueça, que me ilumine, que torne os meus passos visíveis, que ilumine a minha sombra. E desta forma, eu me faça ouvir, eu possa gritar bem alto, os meus desejos, as minhas mágoas, os meus medos, as minhas amarguras, os meus terrores, os meus fantasmas… Quando poderei libertar a minha voz? Quando soltarei estes sons que se apoderam de mim? Quando vou expulsar os meus gritos? E estará alguém do outro lado para os ouvir, para lhes responder, para lhes dar valor e atenção? Estará uma mão estendida para os meus desalentos, um coração aberto para os meus pensamentos? Procuro um olhar faminto, que me devore e que se satisfaça comigo. Procuro um corpo, que sossegue a minha alma, um corpo que me faça sentir presente, viva. Um corpo que me liberte, que me transfigure numa outra pessoa. Como o rio que corre para o mar e se transforma num mistério azul, quero ser a água das montanhas, pura e fresca que nasce e corre para saciar a sede. E desta forma eu seja sentida, saboreada , e que humedeça todos os corpos, num banho de prazer e alegria.

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