Flor de Lótus
sexta-feira, 23 de abril de 2021
Hoje
A vida passa a correr, sem nos dar sinais que temos de acalmar e apreciar os dias, os momentos com a serenidade que eles merecem. E quando dá sinais, às vezes magoam e já temos saudades de nós, da vida. Precisamos parar, ouvir os ruídos e os silêncios ao nosso lado. Precisamos apreciar tudo ao nosso redor. Precisamos sorrir e até mesmo chorar. Porque as emoções devem ser vividas e sentidas. Precisamos amar os que estão ao nosso lado, os que estão do outro lado da rua e principalmente precisamos de ter amor próprio. Sim, eu sei que o amor próprio é o que mais custa, mas temos de aprender a amar o que vemos e sentimos de nós. Só assim a vida não passa a correr, porque queremos mudar isto ou aquilo, ter isto ou aquilo. Viver o presente, sonhando sim, mas a viver. Viver o dia, as horas, os minutos... Hoje temos ,amanhã não sabemos.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Pétalas molhadas
A beleza não impede a chuva miudinha de cair nas suas pétalas. Mas a flor gosta de sentir a sua pele molhada. Esta é a beleza da natureza que chega com a primavera num dia de chuva. A flor tão bela e singela toma banho e inspira à vida a ter esperança. É o grito da flor que se abre para a vida. É o seu sorriso a abrir se nas suas pétalas. Cada gotícula de água é vitamina de vida.
Que assim seja a chuva na nossa vida.
Que assim seja a chuva na nossa vida.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Geração vida
Ontem visitei de fugida em 10 minutos os meus avós. Que saudades deles... E estes dez minutos de tão pouco serviram para aquecer o coração. Mas pelo menos olhei para eles e enviei um Xi coração virtual.
Como é triste ter conhecimento que a maioria de seres humanos que morrem nesta pandemia são as pessoas com mais idade, os nossos idosos. Eu quero chamar lhes a geração vida.
Sim, sãos idosos, sim são velhos, sim são seres dependentes, sim são a vida. A vida que nos trouxeram ao mundo. A vida de quem batalhou muito, a vida de muitas lutas e experiências. A vida que temos de ter orgulho.
E como eu tenho orgulho nos meus avós e orgulho nesta geração vida. A eles devemos a nossa vida. Não podem ser considerados farrapos ou papéis que podem ser deitados fora e queimados porque já passaram o prazo. Não!!! Os idosos precisam da vida e de viver como nós precisamos. Precisam de cuidados como nós. Precisam de amor e carinho como nós. Precisam de nós como nós precisamos deles.
A solidão mata e dói. Para eles, idosos mata mais que o próprio vírus.
A esta minha geração vida, obrigada por tudo. Sem vocês, a minha vida, a sociedade, o mundo não seria o mesmo.
Pandemia
Ano de 2020... Astrólogos diziam que iria ser um ano de mudança, uma ano rico.
Quem diria que este ano nos traria uma pandemia, num vírus escondido que mataria milhares de pessoas por todo o mundo. A morte chegava silenciosa e sem se dar a conhecer, matava rapidamente e mudava a vida das pessoas no planeta que o Homem julgava ter posse. Afinal, o Homem não comanda nada neste planeta e tudo acaba de repente... As pessoas tiveram que ficar fechadas em casa, sem ver os familiares que amam para não contagiar e apanhar o vírus. As vidas ficaram suspensas, empregos perdidos, a economia parada, o mundo em guerra com uma arma silenciosa. Um dia temos tudo e em outro, não temos nada. Muitas pessoas sofrem, principalmente quem tem doenças crónicas, idosos, quem está no hospital por outros problemas de saúde e que não têm resposta... Longe dos entes queridos, sofrem e morrem de saudade.Temos vivido isso, essa dor. Essa impotência... Estar longe de quem amamos... Os fins de semana em família estão proibidos e doí a ausência deles. Ver a vida a passar e não poder aproveitar os dias com quem amamos. Temos de continuar a lutar, a ter esperança que a vida vai mudar. Que todos vamos poder abraçar, sorrir e beijar quem amamos. Não queremos mais imagens de caixões de morte e que nem a morte se pode chorar de quem amamos... Não queremos mais dor de quem está numa cama doente. Não queremos mais conviver com um mal que nos mata por dentro de medo e por fora no corpo. Temos de ter consciência dos nossos actos e não permitir que este vírus se propague, mantendo os cuidados básicos de higiene e segurança para nós e para o próximo.
E pensemos em quem precisa de ajuda, quem neste momento de pandemia mais sofre, porque perdeu emprego, porque vive na rua e tem fome e frio. Ver as ruas da cidade à noite é triste. Solidão e silêncio. Mas tem gente escondida... Os que dormem nas camas de cartão estão lá. São os únicos que lá estão perdidos na noite da pandemia. E cada vez são mais... Nós temos casas, temos família, temos tecto e podemos ter refúgio do vírus. Mas eles não! E ao dar algo para comer, e roupa para agasalhar só agradecem o carinho.
Temos de combater muitos vírus na sociedade e este também é um deles. A pandemia está em muitos lados e de muitas formas e às vezes fechamos os olhos para não vermos o que não gostamos. Mas não pode ser... Temos de olhar em frente e combater de qualquer forma, por maneiras tão simples, os vírus que nos matam e matam a vida.
O ano 2020 ainda pode ser bom, ainda pode ser de alegria e de esperança. Vamos ter força e luz interior para conseguir vencer.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Amar
Ama,
quem respira saudade,
ou quem simplesmente tem o dom de respirar vida.
Ama,
quem sufoca pela ausência,
ou a ausência é solidão.
Ama,
quem vibra com as sensações
e as sensações são borboletas coloridas.
Ama,
quem sofre desilusões
e as desilusões são cruéis.
Mas o amor, é mesmo assim!
Dor, pelo que não temos.
Oferecer o que queremos.
Entregar sem medo.
Sentir a alegria de viver.
Amar uma flor,
amar o sol,
amar o mar,
amar o ar,
amar a terra,
amar até mesmo o nosso menos amigo,
mas mesmo assim amar o SER.
E se é Amor,
então pode ser dor,
então pode ser calor,
então pode ser fervor,
mas pode ser o pavor de perder.
Então é sol, é lua, é noite, é estrela.
Então é viver, é ser para algo ou ser para alguém um símbolo de
Amor.
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Janela
Janela
Olhando pela janela vislumbro o passar da vida. Uma andorinha que para no parapeito à espera do som para partir, uma vizinha que tenta palavra com alguém que passe na rua, na esperança de ser escutada e de ter atenção. O ruído do vento que acorda os meus pensamentos e ao mesmo tempo me faz sonhar. Será que se eu lançar uma palavra o vento a vai levar a bom porto? Ama... Beija... Ajuda... Vive... Aconchega... Abraça... Doa... Leva vento estas palavras a outras janelas. Será que se eu abrir a minha janela vou receber outras tantas de volta? Pelo menos, o sol entra no meu coração e aquece a alma.
Um senhor de 85 anos no hospital encontrava se com queixas de dores na barriga. Com um grande historial de remédios, levava com ele todos os exames e com o decorrer da conversa que ia deixando aqui e ali, com quem estava ao seu lado, reparei que o senhor com uma bagagem de vida, estava ali não somente com queixas de saúde mas, principalmente, com a principal doença dos idosos : a solidão.
Seu filho ligava às vezes e perguntava se já tinha jantado. Pois passava o dia no lar e levava a comida para casa. Esposa tinha falecido há vários anos. E só dizia que não queria viver muito mais. E queria ser cremado para ser esquecido.
A solidão nos idosos é a maior
doença do mundo e são os filhos, os netos, os parentes os principais vírus.
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