terça-feira, 29 de maio de 2012


Criança Olhando para o lado penso como é tão lindo ser criança. Como esse ser tão pequeno, frágil e puro é tão importante, sem o saber. A criança brinca com as coisas, sabe esperar um carinho sem reclamar embora por vezes esteja carente, disfarça tão humildemente essa dor que esquece facilmente e perdoa no primeiro momento, na primeira oportunidade. A criança,vive intensamente os momentos como se fosse o seu último fôlego. Vive o dia-a-dia, no agora, no presente e esquece o passado sem olhar para o futuro, como olha o Homem cruel. Se soubéssemos ser crianças não existia tamanha intriga, tamanha inveja, tamanha insensatez, porque o Homem procura estar sempre acima de outro, ser o melhor, ter o melhor, esquecendo de ser criança, sorrir e amar. Olhando para o lado penso e vejo como as crianças saem a correr da escola com sorrisos abertos e sinceros numa cumplicidade que nós, os Homens há muito tempo perdemos. E porquê? Só pensamos em nós próprios, no nosso ego e calcámos o outro como uma pedra banal na estrada que incomoda ao passar e magoa o calo, a rugosidade que a vida nos trás. Quero que a criança não morra dentro de mim, quero poder brincar e sorrir livremente e aproveitar o que de belo a vida me trás e me oferece. Quero dançar com os braços abertos ao sol e poder brilhar, quero dizer asneiras e rir delas, quero chorar e pedir ajuda, quero um abraço e oferecer a mão, quero dizer o que penso sem ter medo das palavras, quero pensar que vou ser feliz sem ter medo do amanhã e dos olhares dos outros. Quero amar a vida como a criança ama. Quero ser criança e tu Homem sê Criança.

quinta-feira, 24 de maio de 2012


Esperança força que arrebata o meu coração e salta por ele à procura de uma luz que aqueça a minha alma. Como uma corrente de águas furiosas, numa tempestade de Inverno, esta força procura a calma, a bonança de um momento que ilumine a minha vida. Acreditar que tudo pode mudar, basta esperar e confiar. Mas o tempo passa... voa por entre as nossas mãos e quando nos apercebemos estamos fracos, desanimados porque muita coisa se perdeu. Mas a esperança fica...como uma vela que irradia luz e que se vai consumindo lentamente...mas está lá, presente. E mesmo quando está prestes a findar, ela volta a acender. E eu agradeço-te querida Esperança. Por aqueceres o meu coração. Por me dares força e me lembrares que existem muitas mais vidas sofridas, vidas interrompidas, vidas que estão muito a baixo de mim e que à beira deles eu sou uma gota no oceano. E só peço Esperança, não me deixes e ilumina todos os corações aflitos. Se eu for a última a ser atendida pela tua graça, não importa pois salvaste muitas. Mas deixa-te ficar a meu lado, à tua espera.

Olho à minha volta e o que vejo? Olhares vazios, desnudados, sofridos de uns e olhares cruéis, consumíveis, materiais de outros. Porquê uns estão famintos e outros saciados? Porquê tanta desigualdade num mundo que é para todos, para amarmos e usufruirmos plenamente. Tanta crueldade e tantos olhos que se fecham ignorando situações, problemas, colocando paredes como divisórias para não haver perigo de contaminação...Vivemos sem olhar para o outro, para o próximo, sem querer estender a mão a um auxílio. Depois ignoramos a solidão de muitos, as queixas, as dores, os lamentos porque não sabemos ouvir, escutar e estar simplesmente presente. O fruto queremos colher só para nós - é meu!!!! E esta maça, esta laranja tão sumarenta, tão doce pode ser partilhada e saciar uma alma, um coração, uma vida. Para, escuta, sente a brisa na tua face, acaricia o sol ou a chuva contra a tua pele e sente que não és o único neste lugar e que podes dar de ti, podes dar a tua mão, o teu abraço, o teu olhar, o teu sorriso a mais alguém. Podes aprender a viver. E acima de tudo olha com o coração.

quarta-feira, 23 de maio de 2012


Procuro uma luz, um som, uma chama, que me aqueça, que me ilumine, que torne os meus passos visíveis, que ilumine a minha sombra. E desta forma, eu me faça ouvir, eu possa gritar bem alto, os meus desejos, as minhas mágoas, os meus medos, as minhas amarguras, os meus terrores, os meus fantasmas… Quando poderei libertar a minha voz? Quando soltarei estes sons que se apoderam de mim? Quando vou expulsar os meus gritos? E estará alguém do outro lado para os ouvir, para lhes responder, para lhes dar valor e atenção? Estará uma mão estendida para os meus desalentos, um coração aberto para os meus pensamentos? Procuro um olhar faminto, que me devore e que se satisfaça comigo. Procuro um corpo, que sossegue a minha alma, um corpo que me faça sentir presente, viva. Um corpo que me liberte, que me transfigure numa outra pessoa. Como o rio que corre para o mar e se transforma num mistério azul, quero ser a água das montanhas, pura e fresca que nasce e corre para saciar a sede. E desta forma eu seja sentida, saboreada , e que humedeça todos os corpos, num banho de prazer e alegria.

Um belo livro, com uma bela história. Um livro para crianças, um livro para adultos. Não é preciso etiquetar uma idade para poder ler e sentir a mensagem que este conto tão belo, simples em imagens e sensível transmite. Uma mensagem tão pura e sentida, que faz nascer emoções, sentimentos de várias ordens em cada um de nós. Sentimentos de culpa, de falta, de inocência, de amor, de perda, de uma grande amizade. Sentimentos que se tornam banais, sem fruto nos dias de hoje. E uma criança quando o lê ou quando alguém lhe conta, fica maravilhada com este carinho e amizade que se pode criar por algo ou por alguém e dá valor à Natureza, aos amigos e pensa: o que posso eu fazer para ajudar e ser um pouquinho diferente? Um adulto, lê o livro e seu coração ou fica magoado, com remorsos, ou fica maravilhado com a mensagem. Como é fácil amar,como é fácil entregar, como é fácil dar valor à amizade. Leiam, é maravilhoso.